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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

PARA QUÊ?


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Daria Gláucia Yaz de Andrade
Para que desejar os sonhos que morreram E aquele antigo amor que nunca há de voltar? Para que desejar as ilusões que foram Silenciosamente, PARA QUE DESEJAR?
Para que lamentar, amigo, a primavera
De risos e sons que nunca há de retornar?
Para que lamentar os rigores do inverno
E as nevadas da vida... PARA QUE LAMENTAR?
Para que suspirar por amigos que partem Para longe de nós.. . e a dor de separar? Para que suspirar, se os amigos não vêem A nossa solidão? PARA QUE SUSPIRAR?
Para que prantear os mortos bem amados,
E as vozes, doces vozes, que nunca hão de voltar
À magia do riso e à magia do canto...
Este silêncio eterno... PARA QUE PRANTEAR?
Para um sonho que murcha, mil sonhos reverdecem, E nas cinzas do amor outro há de reflorir. As ilusões que vão, elas também retornam Silenciosamente, como as vimos partir.
A primavera volta e o sol e a claridade, Seja um dia ou outro dia, hão sempre de brilhar; A invernia se vai... e os rigores do inverno A presença do sol não podem perturbar!
Há amigos que partem, e há amigos que ficam, Cheios de amor profundo e de consolação; Vivem perto de nós, mister os descubramos, Para encher-se de sons a nossa solidão.
E, para que chorar os entes que morreram, Se em nosso coração eles podem morar, Se a Saudade bem quer repetir suas vozes, E eles podem viver dentro do nosso olhar?
E paira, além de tudo, esta grande certeza:
O meu PAI tudo vê, o meu PAI sabe amar. . .
Se o Pai cuida de nós e o seu amor é eterno
E a nossa vida breve. ..                          
PARA QUE CHORAR?

Rosalee M. Appleby-FLORILÉGIO CRISTÃO

RETRATO DE MULHER

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Léa Gosta Araújo (Àquela que foi mestra, esposa e mãe exemplar.)

Um dia deparei um quadro original,
Belo em simplicidade e de valor real.
Num curioso gesto, eu quis analisá-lo,
Os seus traços olhando e ousando interpretá-lo.
Era um quadro comum, retrato de mulher.
Enfeites não trazia ou pintura sequer!
E, no entanto, era tal do rosto a expressão
Que me falou direto à mente e coração.
No seu cansado olhar eu pude muito ler
No afã da vida intensa o cumprir do dever.
No lar é esposa amiga e fiel, delicada,
É carinhosa mãe, vive sempre ocupada
Em dar aos filhos seus um mundo de carinhos
E vê-los a pisar flores em seus caminhos!
Mas não parou aí seu mister divinal:
Lutadora do Bem, combateu contra o mal,
Crianças — um milhar — a ela foram ter,
Levando de suas mãos as luzes do saber,
Ao Brasil, de sua vida, o melhor ela deu!
Para a Itália partiu querido filho seu.
Em seu olhar dorido e triste de saudade,
Há vivo lampejar de grã felicidade,
Por haver concorrido, em pequena parcela,
A engrandecer a Pátria, a tão querida dela!
E, que ganhou? Não foi o ouro vil, nem glória,
Somente uma coroa — os louros da vitória —
De cabelos tecida e que se embranqueceram,
Que pelo sofrimento a sua cor perderam!
Nos lábios seus sorrindo, eu vejo um grande mundo
De ensinamentos sãos e de um valor profundo.
Seu todo é de ousadia, enfrenta sacrifícios,
Batalha neste mundo encharcado de vícios,
Soube vencer com fé toda dificuldade,
Amando sempre o Bem, a Justiça, a Verdade.
E muda, extasiada, eu pude então notar
Que aquele belo quadro era a mim familiar.,.
E, num grito feliz, de alegria tomada,
No retrato revi minha Mãe adorada!
(De  Expositor Cristão )

Rosalee M. Appleby-FLORILÉGIO CRISTÃO